Em PLD/FTP, confidencialidade não é apenas uma questão de procedimento. É parte essencial da efetividade do sistema de prevenção.
Imagine a seguinte situação:
Uma operação é identificada como atípica, passa por análise e pode resultar em uma comunicação às autoridades.
Durante esse processo, alguém informa ao cliente que ele está sendo analisado ou que uma comunicação foi — ou será — realizada.
Esse comportamento é conhecido como "tipping off".
Em termos práticos, o conceito está relacionado à divulgação indevida de informações que podem revelar ao cliente ou a terceiros a existência de uma análise, investigação ou comunicação relacionada a uma possível atividade suspeita.
Por que isso é tão sensível?
Porque o conhecimento antecipado pode permitir que o envolvido:
• altere seu comportamento financeiro;
• interrompa ou modifique movimentações;
• transfira recursos;
• destrua ou altere evidências;
• utilize outras pessoas ou estruturas para continuar suas atividades.
Por isso, a informação precisa ser tratada de acordo com o princípio da necessidade de conhecimento.
Nem todo profissional que participa do processo precisa conhecer todos os detalhes de uma análise ou comunicação.
Uma estrutura adequada de PLD/FTP deve estabelecer:
• regras claras de confidencialidade;
• definição de quem pode acessar informações sensíveis;
• controles de acesso e rastreabilidade;
• treinamento dos colaboradores;
• procedimentos para tratamento de informações relacionadas a casos suspeitos;
• orientação sobre o que pode — e principalmente o que não deve — ser informado ao cliente.
O tema também reforça uma questão importante: o risco de tipping off não está apenas na área de PLD/FTP.
Atendimento, operações, comercial, jurídico, tecnologia e demais áreas que possam ter contato com informações sensíveis precisam compreender seus limites de atuação.
Reflexão
Um programa de PLD/FTP pode ter excelentes regras de monitoramento e investigação.
Mas, se a informação sobre uma análise ou comunicação chegar indevidamente à pessoa analisada, um controle pode acabar comprometendo outro controle.
Confidencialidade, portanto, não deve ser tratada como detalhe operacional.
Ela faz parte da estratégia de prevenção.
Como a AFCo. pode te ajudar?
Prevenir esse tipo de exposição exige processos claros, responsabilidades bem definidas e controles proporcionais aos riscos.
Nossa assessoria especializada em prevenção a crimes financeiros pode apoiar organizações no fortalecimento de processos, controles, governança e estratégias de prevenção, identificação e tratamento de riscos relacionados a crimes financeiros.
